Blog::Empreendedorismo


A linguiça Perdigão vai ficar bastante Sadia
Categoria(s): Brasil Empreendedorismo

Não tenho mais assistindo muita TV, nem mesmo os jornais como costumava ver... só volta e meia algum episódio de Fringe (que já está me cansando um pouco), Two and a Half Men ou The Mentalist.

Aí algumas vezes aproveito o final de semana e dou uma passadinha no SESC, pra ouvir um pouco de música, levar o Pimpolho Jr. para brincar na área infantil, e ler algumas revistas.

Só depois de ler a última edição da revista Exame é que fiquei sabendo da fusão entre Sadia e Perdigão.

Não é algo tão chocante como foi, para os bebedores de cerveja, a fusão entre Brahma/Skol e Antarctica, mas mesmo assim fiquei espantado pela notícia (certamente sou um comedor de petiscos).

E este, sem dúvida, é um assunto que interessa a todos os churrasqueiros de plantão.

Segundo a reportagem, a empresa produto da fusão, a BRF será "uma empresa de 25 bilhões de reais de faturamento e terceira maior produtora de carnes do mundo, atrás apenas da americana Tyson Foods e do frigorífico brasileiro JBS-Friboi". E ainda, "em alguns segmentos, como o de massas, a BRF terá participação de mercado da ordem de 90%.".

O mais interessante sobre a notícia é que não foi, de fato, uma fusão: na verdade a Perdigão comprou a Sadia!

A Sadia, cuja marca lhe permite cobrar 15% a mais do que as outras, há alguns anos estava investindo seu capital em demasiado no mercado financeiro, quase tanto quanto em seu negócio principal.

O primeiro efeito disso: a Perdigão, além de ter expandido suas operações em mais de 70% nos últimos anos, tem lucros maiores que a sua rival, mesmo praticando preços mais baixos.

O segundo efeito de desvirtuar o foco: a crise econômica com os especulativos financeiros levou a Sadia a ter um rombo de 2,5 bilhões, e sob a perspectiva de não se sustentar mais, procurar compradores (o vulgo "a água bateu no pescoço").

Antigamente quando duas empresas rivais se uniam, todo mundo batia palmas, mas depois do fracasso de várias fusões antes aplaudidas (como sempre tendo como maior exemplo Daimler e Chrysler), agora todo mundo fica receoso sobre essa fusão entre palmeirenses e corinthianos.

Eu só espero que não aconteça como a Ambev, em que hoje em dia Kuat, Guaraná Antarctica e a extinta Taí tem todos o mesmo gosto.






Shub Griha

Há alguns meses (anos?) atrás, Ratan Tata, milionário indiano ficou anunciou ao mundo que lançaria na India o carro mais barato de todo o globo: 2.500 dólares.

A motivação de Ratan, era querer dar um carro à pessoas que nunca tiveram possibilidade de ao menos sonhar com um veículo, já que na India o principal transporte motor são as motos.

E uma cena comum lá é ver pai, mãe e mais dois filhos nas motos, no melhor estilo "reza pra gente não ter que parar".

Muita gente duvidou, mas o carro saiu. Leia aqui uma avaliação que a Quatro Rodas disponibilizou da edição do mês passado. O carro não é nenhum luxo, óbvio, mas cumpre muito bem o que prometeu.

Agora Ratan já tem outro objetivo: fornecer moradias populares à um preço baixo (cerca de 7.000 dólares). Claro que serão apartamentos bem diminutos (o menor e mais barato tem cerca de 26,3 metros quadrados), mas o preço é bastante amigável para uma população essencialmente pobre (veja aqui o site do empreendimento).

Até pouco tempo atrás, eu morei num apartamento (alugado) que julgo não ter mais do que 30 ou 40 metros quadrados. Por se localizar numa área em que estudantes de classe alta moram, o valor do apartamento para venda é bem mais salgado: cerca de R$ 60 mil.

Enquanto estávamos eu e a minha esposa, eu não reclamava, mas depois que veio o Pimpolho Jr, as coisas ficaram literalmente apertadas.

Na análise da revista Quatro Rodas, eles dizem que o carro de 2.500 dólares só poderia ter sido feito por um indiano, pois um americano não veria como lucrar com o projeto, e um alemão encheria o carro de tecnologia (encarecendo o projeto). Acrescento: no Brasil, não há algum mega-empresário com tamanha visão social.






Lively

Alguém aí ainda lembra do Second Life?

Eu realmente já havia esquecido dele, tanto que o último post sobre o assunto saiu há mais de um ano.

Nem revistas como Info Exame promovem mais seminário sobre o assunto...

Aliás, pra você saber se determinado hype ou tecnologia na área de TI vai pegar ou vai morrer, basta reparar se quem comenta o assunto são os subordinados ou apenas os chefes. Se forem apenas os chefes, a chance de ser bomba (no mau sentido) é grande.

Voltando ao assunto de "simuladores de ambientes 3D com avatares", agora é a vez da Google apostar nessa: a empresa lançou o Lively, que roda no browser, mas precisa de um plugin que roda somente no Windows.

Segundo a notícia no Slashdot, o serviço "ainda não é tão expansivo como o Second Life, mas espere as coisas melhorarem".

Os comentários dos usuários no Slashdot, como sempre, são os melhores:

- "Eu não posso esperar a hora em que a Google substituir a página de busca com um avatar assistente animado, colorido, brilhante e amigável. Será a próxima revolução nas interfaces com o usuário!".

- "Eu sugiro um clipe de papel".






Intermediando pagamentos no Brasil

Um dos motivos dos meus posts escassos esta semana tem sido a falta de tempo para me dedicar mais ao blog.

A falta de tempo tem sido motivada por uma carga grande de trabalho, e parte disto está na dor de cabeça em arranjar um sistema de intermédio de pagamentos decente no Brasil (trabalho esse não IBM), como é o PayPal internacionalmente (leia mais sobre o PayPal na Wikipédia).

A primeira alternativa foi o PagSeguro da UOL. As instruções de integração com um site estão picadas durante várias páginas diferentes, e o código de exemplo deles contém um pequeno bug. O envio de informação do sistema deles para o site que usa o serviço, após o usuário efetuar a compra, não funciona (mas ao menos um email é enviado avisando da transação). Não existe suporte por telefone 24 horas, e questões técnicas, apenas via web (com as devidas respostas genéricas). O próprio blog do serviço contém várias reclamações nos poucos comentários.

Eu já até identifiquei a falha e mandei pra eles no atendimento, mas sempre dizem que o setor técnico ainda não enviou nenhuma resposta, ou que eu devo olhar de novo o código bixado fornecido por eles.

Isso há mais de uma semana!

Procurei por um serviço elogiado, o f2b, mas ele ainda não trabalha com a  bandeira Mastercard/Dinners, portanto é praticamente inviável.

O serviço do BuscaPé, o PagamentoDigital, parece funcionar, mas algumas poucas reclamações na web desanimam (sobre a demora em receber deles).

E, nenhum deles fornece interface em vários idiomas para integração no site.

O PayPal, que seria a escolha óbvia, não tem interface em português. Aliás, durante um bom tempo, o sistema não aceitava contas usando os cartões brasileiros, devido à quantidade de fraudes.

E agora, José?






Caso Fox: como não tratar um problema
Categoria(s): Brasil Empreendedorismo

Em Agosto de 2006, a revista Quatro Rodas publicou o caso de pessoas que tiveram sua mão mutilada pelo banco traseiro do Volkswagen Fox.

Segundo a reportagem, "tanto o manual quanto a etiqueta orientam a rebater o banco pelo porta-malas. É onde mora o perigo. Ele começa já na trava que prende o assento. A etiqueta induz o usuário a puxar uma barra de aço para destravar o banco, depois de ter rebatido o encosto. O problema é que essa barra tende a prender a mão depois que o assento se desprende."

Na época, a Volkswagen disse conhecer apenas um caso isolado.

Em fevereiro deste ano, a TV mostrou (em reportagens tanto da Globo, quanto da Bandeirantes) notícias sobre várias pessoas com o mesmo caso: a mão mutilada pelo banco traseiro do Fox.

A Volkswagen então, concedeu uma declaração ao Jornal Nacional. A declaração foi feita pelo presidente da empresa no Brasil, o alemão Thomas Schmall. Segundo reportagem da revista Você S/A entitulada "Frieza Germânica", a idéia da Volks foi mostrar que a empresa estava unida em torno do assunto.

Ainda segundo a revista, a idéia não foi nada boa: em um tom frio e direto (e com sotaque alemão), Thomas foi incisivo ao dizer que a culpa era do consumidor que não leu o manual (alguém lê o manual para destravar o banco?). O mais adequado era ter usado alguém da empresa do setor de relações públicas, e óbvio, mostrar que a empresa estava preocupada e que já estava cuidando de todos os casos relatados.

Apenas após a reportagem, mais de um ano depois da reportagem original da revista Quatro Rodas, a empresa anunciou que colocaria gratuitamente para quem fosse à concessionária, um peça que, segundo ela, resolveria o caso. Segundo nova reportagem da revista, não resolve o caso totalmente, já que a peça inibe apenas um dos meios de se machucar (há inclusive o laudo do perito para download no site da revista).

Não sei se a queda nas vendas do modelo em torno de mil unidades no mês influenciaram em algo, mas anteontem a empresa anunciou um recall (chamada obrigatória) de todos os Fox produzidos desde 2002 (após negar de pés juntos que não faria o tal recall).

Para isso, foi criado um "hotsite" (site temporário) que explica mais detalhes sobre o recall e sobre como manipular corretamente o banco traseiro (inclusive com vídeos): http://www.vwbr.com.br/bancodofox.

A regra é antiga (o cliente tem sempre razão), e o caso era grave (clientes mutilados). Nestes casos, qual seria a imagem que a empresa passaria, se ela tivesse prontamente cuidado das pessoas mutiladas, assumido a culpa e instantâneamente feito o recall?





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