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Who's Dead?

Geralmente coberturas da mídia sobre mortes de celebridades (ou de crimes hediondos e/ou que envolvam crianças) são super exaustivas e sacais, com entrevistas de familiares, peritos, amigos, parentes (de verdade ou só na hora da fama) e qualquer ser vivo que possa ter tido contato com o falecido e que saiba pronunciar frases bem construídas para aparecer na Ana Maria Braga. Bom, notem que só esse "que saiba pronunciar frases bem construídas" já tira 80% da lista.

Uma coisa interessante sobre a morte do Michael Jackson é que os canais "musicais" como MTV e Multishow passaram vários especiais de videoclipes do astro, e como (para espanto de alguns) sempre fui fã do cantor (e minha esposa também), é um prato cheio.

Tudo bem que não aguento mais ouvir "They don't care about us", mas "Don't Stop 'Til You Get Enough" - como bem falou minha esposa - pode tocar 500 vezes que não cansa.

Pra se ter uma idéia, até o Google News ficou alguns minutos fora do ar, além de outros sites "menos famosos", e até o Twitter também não aguentou (ok, o Twitter "capengar" não é novidade).

A questão é que para quem teve infância/adolescência nos anos 90, Michael Jackson era apenas um cantor que um dia já fora famoso e agora fazia plásticas com o cirurgião plástico do Coringa (do filme do Tim Burton - piada que muitos não vão entender em tempos de Batman Begins).

Mas para quem nasceu bem antes disso, a história é um pouco diferente (ok, hora de parar de ler o post se você não tiver com paciência).

Quando eu comecei a me entender por gente, eu tinha 5 anos (sim, eu lembro bem dessa idade) e viemos do Sul para Ribeirão Preto-SP fugindo de uma enchente que cobriu boa parte de nossa cidade, em 1983.

Eu estava 1 ano adiantado na escola, e nas escolas públicas de SP não aceitavam alunos com mais de 6 meses adiantado, então "infelizmente" eu tinha que ficar em casa, brincando e assistindo desenhos na TV.

Estourava por aqui o clipe Thriller, do ano anterior. Nessa época o Fantástico ainda era um programa decente, e passava, além de matérias de ciência, tecnologia e história, alguns clipes musicais, e lembro bem da primeira vez que toda família estava em frente, na casa da minha vó, com todos meus tios e primos, em férias, a TV e passou o Thriller.

Numa época em que todos os clipes consistiam apenas da banda/artista fazendo performance com algumas luzes psicodélicas passando ao fundo, Thriller foi incrivelmente revolucionário, e como muitos já cansaram de dizer nestes dias, o "cara" simplesmente criou a forma como até hoje se fazem clipes musicais.

Aliás, tinha até um desenho (que eu lembro vagamente, e era tosco) dos Jackson Five, que passava junto com aqueles desenhos transmitidos pela Band e SBT que variavam entre o tosco e o inocente, como Formiga Atômica, Xodó da Vovó, e outros que um dia não sei se terei orgulho ou vergonha de mostrar para o Pimpolho Jr.

Eu era tão fascinado por desenhos que minha mãe e minha vó tiveram a infeliz idéia de me tirar um pouco da frente da TV e me levar pra a feira de rua. Bela idéia não? Quer coisa mais "divertida" para uma criança do que ter que acompanhar a mãe e a avó durante as compras de verduras? Eu odiava tanto isso, que um dia eu me escondi debaixo da cama de um dos quartos, só para não ter que ir à feira. Mas minha carreira de delinquente juvenil não foi muito longe: fiquei com dó delas me procurando e me entreguei.

Dois anos depois, em 1985, o mesmo Fantástico exibia o clipe "We Are the World", de autoria do Jackson e do Lionel Rich, cujos fundos arrecadados com a venda do LP (nossa, fazia tempo que eu não falava isso) seriam revertidos para as crianças da África. Vários artistas famosos da época participaram do clipe, com todos aqueles trajes e cabelos horríveis dos anos 80, mas a causa era tão nobre, que meus parentes até compram o disco.

Mas como a África é um continente constituído, em sua grande parte, de países "subdesenvolvidos" (lembram desse termo?), não tem estrela hollywoodiana, não tem relações comerciais com países ricos, nunca mais artista algum se preocupou com as crianças de lá. Nem a Jamaica pra fazer parte de lá...

Nessa época meus primos mais velhos (e a gente, quando criança, é fascinado pelos primos mais velhos) imitavam o passo Moonwalker, e todos nós menores achávamos o máximo.

Em 1986 meus pais se separaram, e nós passamos então a visitar meu pai nos finais de semana e nas férias. Meu pai que ouvia Michael desde a época dos Jackson Five, sempre ouvia as músicas do cantor quando o visitávamos.

Em 87 o Michael lançou "Bad", e lembro quando o clipe passou pela primeira vez, quando visitávamos minha falecida vó Iva, em Curitiba.

Anos depois, quando eu tinha uns 12 ou 13 anos, como muitos garotos de minha idade, eu era fascinando por videogames, e um dos jogos que mais gostávamos no finado Master System, era Moonwalker. Mais tarde, quando eu e meus irmãos ganhamos um Mega Drive, Moonwalker foi um dos primeiros jogos que alugamos, e naquela época ouvir vozes digitalizadas, e as músicas do astro mais próximas das músicas reais realmente impressionava.

Lembro que quando saiu o Mega CD no Japão, havia rumores de que o astro lançaria uma versão do jogo em CD, com as músicas em formato digital. Mas afinal era a Sega, e ela nunca agradava seus fãs.

Depois disso começou a fase "quero ser Diana Ross" do cantor, com o clipe "Black or White" do álbum Dangerous, que muita gente lembra dos efeitos especiais lá pelo final do clipe, onde os rostos se transformam no de outras pessoas. Lembro que depois vários outros clipes, filmes, etc, ficavam copiando esses efeitos.

E é dessa fase que os mais novos lembram do cantor, então até entendo o descaso com a morte dele. Além dos escândalos sexuais.

Nos clipes, eles tentavam mostrar que ele jogava no time azul, embora os rodopios, gritinhos e a "ajeitadinha no modess" denunciavam que ele jogava em outro. Mas como todo fã inocente, prefiro acreditar que ele, como o Sheldon do Big Bang Theory, apenas "não jogava".






Google Cocode
Categoria(s): Programação TI Web

A Google lançou um site (não se foi hoje, mas o post no Slashdot é de hoje) para promover o "desempenho" da web em geral.

Os tutoriais falam de otimização de imagens, HTML, até de PHP.

Fui ler alguns, inicialmente o de HTML e PHP. Não vi os vídeos. (Aliás, falando em Flash, instalei o Flash Blocker, e o consumo de memória do Firefox diminuiu consideravelmente!).

Sobre o de HTML: eles te aconselham a não fechar as tags cujo "fechamento" não é obrigatório no HTML 4. Segundo o tutorial, isso reduziria de 5 a 20% o tamanho final do arquivo.

Não sei o quanto isso é problema, afinal isso piora um pouco a legibilidade de quem desenvolve o código, e em tempos de frameworks montruosos em Javascript, acredito que eles sejam mais vilões do que estes "fechamentos" de tags.

Ok, até aí tudo bem, até porque o tutorial comenta algumas coisas interessantes sobre o HTML 5.

Aí cliquei para ver o de PHP... e além de poucas dicas, contém dicas que não são mais válidas nos dias atuais, como usar switch ao invés de if (só vale se você realmente aninhar vários ifs, não para um if/else), usar aspas simples, etc.

Aliás, não apenas esse tutorial do Google, vários tutoriais relacionados ao desempenho do PHP que existem por aí são furados e com coisas antigas.

Além de não ler estes tutoriais, desempenho também nunca se mede no "achismo", e sim com ferramentas de profiling, já que o gargalo 99% das vezes não está onde achamos que está.

Agora vou criar coragem e ler os outros tutoriais.

Se acharem algum legal, avisem nos comentários.

 

 






A linguiça Perdigão vai ficar bastante Sadia
Categoria(s): Brasil Empreendedorismo

Não tenho mais assistindo muita TV, nem mesmo os jornais como costumava ver... só volta e meia algum episódio de Fringe (que já está me cansando um pouco), Two and a Half Men ou The Mentalist.

Aí algumas vezes aproveito o final de semana e dou uma passadinha no SESC, pra ouvir um pouco de música, levar o Pimpolho Jr. para brincar na área infantil, e ler algumas revistas.

Só depois de ler a última edição da revista Exame é que fiquei sabendo da fusão entre Sadia e Perdigão.

Não é algo tão chocante como foi, para os bebedores de cerveja, a fusão entre Brahma/Skol e Antarctica, mas mesmo assim fiquei espantado pela notícia (certamente sou um comedor de petiscos).

E este, sem dúvida, é um assunto que interessa a todos os churrasqueiros de plantão.

Segundo a reportagem, a empresa produto da fusão, a BRF será "uma empresa de 25 bilhões de reais de faturamento e terceira maior produtora de carnes do mundo, atrás apenas da americana Tyson Foods e do frigorífico brasileiro JBS-Friboi". E ainda, "em alguns segmentos, como o de massas, a BRF terá participação de mercado da ordem de 90%.".

O mais interessante sobre a notícia é que não foi, de fato, uma fusão: na verdade a Perdigão comprou a Sadia!

A Sadia, cuja marca lhe permite cobrar 15% a mais do que as outras, há alguns anos estava investindo seu capital em demasiado no mercado financeiro, quase tanto quanto em seu negócio principal.

O primeiro efeito disso: a Perdigão, além de ter expandido suas operações em mais de 70% nos últimos anos, tem lucros maiores que a sua rival, mesmo praticando preços mais baixos.

O segundo efeito de desvirtuar o foco: a crise econômica com os especulativos financeiros levou a Sadia a ter um rombo de 2,5 bilhões, e sob a perspectiva de não se sustentar mais, procurar compradores (o vulgo "a água bateu no pescoço").

Antigamente quando duas empresas rivais se uniam, todo mundo batia palmas, mas depois do fracasso de várias fusões antes aplaudidas (como sempre tendo como maior exemplo Daimler e Chrysler), agora todo mundo fica receoso sobre essa fusão entre palmeirenses e corinthianos.

Eu só espero que não aconteça como a Ambev, em que hoje em dia Kuat, Guaraná Antarctica e a extinta Taí tem todos o mesmo gosto.






Twitter, YouTube e outros em manutenção
Categoria(s): Política Uadarréu Web

Hoje faz 20 anos desde que aconteceu o Massacre da Paz Celestial na China, um protesto que consistia em caminhadas pacíficas protestando contra a pobreza (sim, a vida lá era mais pobre ainda), corrupção e repressão do governo.

O protesto já durava mais de 15 dias, e haviam várias ordens do governo pedindo o encerramento dos mesmos. Houve então, no Partido Comunista, uma divisão de critérios (opiniões) sobre como se deveria responder aos manifestantes.

Os governantes então ponderaram durante 2 segundos, e resolveram acabar com o protesto usando a força, para fazer juz ao protesto contra a repressão. O governo enviou tanques e homens do exército à praça de Tiananmen para "dissolver" o protesto.

Segundo a Wikipedia, "as estimativas das mortes civis variam: 400 a 800 (segundo o jornal estadunidense The New York Times), 2 600 (segundo informações não identificadas da Cruz Vermelha chinesa) e sete mil (segundo os manifestantes). O número de feridos se estima entre sete mil e dez mil".

Algumas imagens ficaram famosas, como o estudante que entrou na frente dos tanques, enquanto a mídia estrangeira filmava os acontecimentos. O estudante então subiu em cima de um tanque, para protestar. Como depois disso o governo chinês expulsou a mídia do país, e suprimiu qualquer citação sobre o ocorrido, ninguém nem nunca soube o nome de paradeiro do estudante.

Como hoje é o aniversário do acontecimento, o Grande Firewall da China informa que Twitter, YouTube e outros sites estão em manutenção e não podem ser acessados de lá.

Outro fato interessante sobre a falta de direitos humanos lá, é que nem mesmo o governo americano - grande "defensor da liberdade" - protesta sobre isso. Lembrando, que apenas por coincidência, ambos países são grande parceiro econômicos.

O governo Clinton, que aprofundou as relações comerciais com a China, nunca colocou os direitos humanos como condição de negociação, e nem o governo Bush ameaçou entrar na China à força para "levar liberdade" ao  povo chinês, como fez com o petróleo iraquiano. Money talks.






Shub Griha

Há alguns meses (anos?) atrás, Ratan Tata, milionário indiano ficou anunciou ao mundo que lançaria na India o carro mais barato de todo o globo: 2.500 dólares.

A motivação de Ratan, era querer dar um carro à pessoas que nunca tiveram possibilidade de ao menos sonhar com um veículo, já que na India o principal transporte motor são as motos.

E uma cena comum lá é ver pai, mãe e mais dois filhos nas motos, no melhor estilo "reza pra gente não ter que parar".

Muita gente duvidou, mas o carro saiu. Leia aqui uma avaliação que a Quatro Rodas disponibilizou da edição do mês passado. O carro não é nenhum luxo, óbvio, mas cumpre muito bem o que prometeu.

Agora Ratan já tem outro objetivo: fornecer moradias populares à um preço baixo (cerca de 7.000 dólares). Claro que serão apartamentos bem diminutos (o menor e mais barato tem cerca de 26,3 metros quadrados), mas o preço é bastante amigável para uma população essencialmente pobre (veja aqui o site do empreendimento).

Até pouco tempo atrás, eu morei num apartamento (alugado) que julgo não ter mais do que 30 ou 40 metros quadrados. Por se localizar numa área em que estudantes de classe alta moram, o valor do apartamento para venda é bem mais salgado: cerca de R$ 60 mil.

Enquanto estávamos eu e a minha esposa, eu não reclamava, mas depois que veio o Pimpolho Jr, as coisas ficaram literalmente apertadas.

Na análise da revista Quatro Rodas, eles dizem que o carro de 2.500 dólares só poderia ter sido feito por um indiano, pois um americano não veria como lucrar com o projeto, e um alemão encheria o carro de tecnologia (encarecendo o projeto). Acrescento: no Brasil, não há algum mega-empresário com tamanha visão social.





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